“Tendo consciência de que não somos daqui, devemos nos incomodar em prol da salvação do outro”, afirmou o pastor do Instituto de Desenvolvimento do Estudante Colportor (IDEC), Américo Sambata, na Semana de Colportagem que aconteceu entre os dias 2 e 7 de março. A programação, que teve como tema “Estrangeiros”, convidou os estudantes a refletirem sobre o chamado missionário e a responsabilidade de compartilhar o evangelho, reconhecendo que a vida cristã aponta para um lugar que vai além deste mundo.
Laura Madeira, aluna do colégio, reconheceu esse chamado e decidiu vivêlo: “Eu entrei para colportagem literalmente como um chamado de Deus, nunca tive vontade de fazer uma missão longe de casa, até conhecer as histórias e milagres vividos por colportores”.
Muito além de vendas
Para muitos estudantes, esse chamado se confirma nas experiências vividas durante o trabalho missionário. Foi o que aconteceu com Laura Madeira.
“Em um domingo de trabalho no campo, vivi uma experiência muito marcante. Como atuo no segmento de comércio, naquele dia muitos estabelecimentos estavam fechados e eu e minha dupla tivemos que trabalhar de casa em casa. Já eram quase 11 horas da manhã e não estávamos conseguindo entrar em nenhuma casa. Para piorar, naquele dia estávamos sem dinheiro para almoçar, algo que nunca tinha acontecido antes.
Depois de várias tentativas, batemos em uma casa onde uma mulher nos recebeu. No começo ela parecia um pouco desconfiada, mas nos convidou para entrar. Conversamos com ela e com a mãe dela, e as duas se interessaram bastante pelos materiais. No entanto, elas tinham dinheiro apenas para uma revista. Aceitamos com gratidão, mesmo sabendo que aqueles 30 reais não seriam suficientes para pagar um almoço no local.
Durante a conversa, elas nos ofereceram bolinhos de chuva, cerca de 20. Ficamos muito agradecidas, porque aquilo acabou sendo o nosso almoço naquele dia.
Em certo momento, a mãe da mulher, que era analfabeta, contou que orava muito pedindo a ajuda de Deus para conseguir ler a Bíblia e que, de alguma forma, conseguia ler apenas as Escrituras. Depois disso, ela saiu por um instante e voltou com as mãos fechadas. Quando abriu, mostrou duas notas de 50 reais. Ela disse que guardava aquele dinheiro para emergências, mas que sentiu no coração que Deus havia enviado a gente até ali e que precisaríamos daquela ajuda. Então decidiu nos dar o dinheiro de bom coração, sem querer nada em troca.
Sem dúvida, essa foi uma das experiências mais marcantes que já vivi no campo, não apenas pela ajuda inesperada, mas por ouvir alguém dizer que sentiu que fomos enviadas por Deus naquele dia”.

(Semana especial teve a participação de Jhon e Andréia)
“A colportagem alcança os que não podem ser alcançados pelos métodos tradicionais. A maior contribuição da colportagem ainda está por vir”, ressalta o pastor Marcos Souza, diretor de Publicações da sede administrativa da Igreja Adventista para a região Centro-Oeste (UCOB).
“A diferença entre nós e as pessoas que estão fora, é que encontramos o pão da vida. Essa semana foi um convite aos adolescentes, jovens, a escrever uma história de missão, e a colportagem é uma ferramenta para eles. Trocar o conforto pela vontade de Deus, entrar em lugares que o púlpito não entra”, comenta o pastor do IDEC, Américo Sambata.