O que faz alguém deixar a própria casa, a família, os amigos e o país onde nasceu para atravessar o mundo por pessoas que nunca viu? O que leva alguém a trocar o conhecido pelo desconhecido?
Poucas pessoas saberiam apontar as Ilhas Maurício no mapa. Menos ainda imaginariam que uma jovem deixaria esse pequeno arquipélago, localizado no oceano Índico, para viver uma missão do outro lado do mundo.
O Chamado
Foram quatro voos e mais de 15 horas de viagem até que Julie Thésée, de 37 anos, encontrasse seu novo lar, o Brasil. Mas essa jornada começou muito antes de embarcar em um avião.
“Desde o início da minha adolescência, eu tinha esse desejo de ser missionária; quando participava de passeios missionários com meu pastor, ou quando ouvia as histórias missionárias trimestrais, ou mesmo assistia ao Mission 360, esse desejo só crescia mais.”
Antes do Brasil, Julie serviu nas Filipinas, lá foi missionária digital no Centro de Evangelismo Digital da Rádio Adventista Mundial. Serviu por dois anos ao lado de missionários de todo o mundo. Foi treinada para divulgar o evangelho online por meio das redes sociais e interagir com as pessoas, além de criar conteúdo e participar da produção de vídeos.
Mais do que aprender novas habilidades técnicas, a experiência moldou sua maneira de enxergar o outro.
“Como havia tantas nacionalidades naquele lugar, compartilhando os mesmos espaços o tempo todo, aprendi a não julgar coisas que não faziam parte da minha cultura, dos meus hábitos ou da minha educação. Aprendi a ouvir as pessoas para conhecê-las melhor e, assim, me adaptar a elas, pois todos merecem ser conhecidos sem serem julgados.”
Foi nesse ambiente que Julie descobriu que evangelizar começa muito antes de falar sobre fé. Primeiro, é preciso construir confiança.
“Ver alguém confiar em Jesus porque, antes, confiou em você, é maravilhoso.”
Foi assim que ela viu conversas virtuais se transformarem em relacionamentos verdadeiros e pessoas abrirem espaço no coração para conhecer a Cristo.
Novo Campo Missionário
O desejo de alcançar pessoas por meio da missão continuou conduzindo seus passos até o Colégio Adventista Brasil Central (IABC), onde hoje atua como professora voluntária no Instituto de Idiomas, lecionando inglês e francês.
Ao contrário do que acontece em muitas histórias de quem decide servir longe de casa, Julie encontrou na família o incentivo necessário para seguir o chamado.
“Minha família ficou feliz e me deu apoio quando contei a eles. Tive que deixar meu emprego em Maurício como professora, função que exerci por quase 10 anos. Eles continuaram me apoiando. Foi como se fosse a evolução natural da minha vida cristã.”
No IABC, o contato diário com adolescentes também transformou sua visão sobre educação e discipulado.
“O IABC me ensinou como despertar o interesse dos jovens. Eu nunca tinha trabalhado de verdade com turmas de adolescentes e achava que seria difícil, mas fico feliz em observar como os líderes, professores e outros funcionários tratam os alunos. Eu realmente aprecio ver como eles se envolvem, mesmo sendo tão jovens, com a espiritualidade, a missão e o voluntariado.”
Esse relacionamento construído fortaleceu sua visão sobre o propósito da Educação Adventista.
“O IABC me ensinou que o adventismo é um estilo de vida que transforma não só a própria vida, mas também a dos outros.”
Embora hoje ensine idiomas em uma escola brasileira, Julie acredita que sua vocação nunca esteve ligada a um lugar específico. Desde cedo, a missão sempre ocupou um espaço especial entre seus sonhos.
“Eu tive muitos sonhos, mas a ideia de ser missionária sempre esteve lá, latente. Viajar e estudar as pessoas sempre estiveram na minha mente.”
O futuro ainda reserva novos campos missionários. Seja no Brasil ou em qualquer outra parte do mundo, Julie deseja continuar dizendo “sim” ao chamado que começou ainda na adolescência.